Como o Design Thinking pode ser útil em projetos de TI

Design Thinking é um conceito cada vez mais difundido, especialmente quando se fala em inovação. Embora tenha surgido há muitos anos e seja amplamente conhecido em países desenvolvidos, só agora ele ganha força no Brasil.

As empresas estão começando a perceber que estamos diante de uma nova era na vida econômica e social. Elas entenderam que, se quiserem sobreviver e manter vantagens competitivas de longo prazo, devem se concentrar na inovação como motor do crescimento.

Neste artigo você entenderá este conceito e verá como ele pode te ajudar em projetos de TI. Acompanhe!

Conceito de Design Thinking

Para explicar, vamos pegar emprestadas as palavras de Tim Brown, presidente da IDEO — consultoria responsável por ajudar grandes empresas como Apple, Microsoft, Pepsi e Havaianas na concepção de muitos de seus produtos e serviços.

“Design Thinking é uma abordagem para busca da inovação centrada nas pessoas, que utiliza ferramentas de design para integrar as necessidades dos usuários, as possibilidades da tecnologia e os requisitos para o sucesso do negócio”.

O que isso significa em termos mais simples? Que o design thinking nos ajuda a olhar para a inovação com uma abordagem holística, na qual as pessoas, a tecnologia e os negócios convergem no que é conhecido como o projeto. Ele pode ser aplicado tanto aos produtos e serviços como aos processos ou modelos de negócios.

Em resumo, podemos dizer que o Design Thinking é:

  • centrado no ser humano: concentra-se nas necessidades dos usuários de produtos e serviços;
  • um processo de aprendizagem interativo: conforme o projeto evolui, a equipe de design thinking redefine o problema, constrói protótipos e faz testes com os usuários;
  • provedor de fases divergentes e convergentes: permite aos membros do projeto pensar e expor ideias que podem convergir ou divergir dos pressupostos; os resultados estão abertos e podem ser repensados a todo momento ao longo do cronograma;
  • uma abordagem que permite a prototipagem rápida: a experimentação não é um problema, mas parte do projeto.

Quando, onde e como aplicar o Design Thinking

Como é perceptível, essa metodologia se aplica em quase qualquer área. Os empreendimentos mais ligados aos novos meios de criação e inovação já utilizam essa técnica em seu cotidiano.

No entanto, por sua natureza mais própria e humana, muitas vezes o setor de Design Thinking de um negócio é separado do fluxo oficial de resultados, operando como uma classe de workshop de novos entendimentos — o que não é o ideal.

A técnica baseia-se em trabalho em equipe e as ideias devem ser reproduzidas em conjunto. Uma boa forma de fazer isso é criar matrizes e testá-los durante todo o processo.

A busca não pode ser por uma solução determinada, final e que não possa ser alterada, mas a própria trajetória conduz as pessoas a encontrar o resultado ideal com foco nelas, acima de tudo.

O ponto-chave para o sucesso de produtos desenvolvidos sob o conceito é a atuação do futuro consumidor na geração do novo item — seja ele criado do início ou que tenha sido aprimorado.

Essa tarefa não é simples e exige do profissional o pensamento integrativo, que seja qualificado para contemplar todos os pontos da questão, mesmo que visivelmente opostos.

Talvez essa seja uma das formas mais estáveis e eficientes de instituir esse sistema em uma empresa. Ao resguardar a produtividade e a escala habitual desprendidas do Design Thinking, um negócio pode aproveitar as vantagens desse modelo.

Benefícios do Design Thinking

Diversos gestores ainda têm dificuldades para ver os benefícios do Design Thinking e as instituições públicas ainda são bastante limitadas quando o assunto é inovação. É um grande desafio empregar a metodologia, embora ela seja uma forma real de solucionar obstáculos recorrentes no mundo empresarial.

Saiba mais!

1. Tem um ótimo custo-benefício

Comparado ao benefício que produz dentro do empreendimento, a ferramenta e seus conceitos têm um valor muito baixo. Trata-se de uma doutrina bem modesta, que não requer altos investimentos.

O maior custo talvez seja o de alterar a cultura organizacional para afiliar-se às práticas do conceito, visto que assim será possível alcançar algum resultado. As perspectivas de sucesso são grandes, mas é preciso um esforço diário.

2. Proporciona respostas

O Design Thinking incita diferentes estados mentais, o que pode auxiliar a resolução de diversos problemas. O desenvolvimento de pensamentos opostos é fundamental para quem almeja chegar a reflexões convergentes.

Usando critérios práticos, é possível confrontar opções e testar cada uma delas. Mentalidades são bastante diferentes e devem ser trabalhadas para pensar com sincronia.

3. Incentiva a criatividade

A metodologia é uma ferramenta que promove soluções. A criatividade não é um dom que se aplica a determinado tipo ou grupo de pessoas. Ela está em todos e precisa ser continuamente alimentada. A criatividade pode ser a chave para um resultado inusitado, imprevisível e totalmente eficaz!

4. Estimula a empatia

Ter empatia é identificar-se com o outro e sentir o que ele sente. O Design Thinking busca por aplicações que incentivem a solução de contratempos sob uma ótica mais empática. Essa é uma de suas maiores colaborações para as empresas.

6 etapas do Design Thinking e como elas podem ser utilizadas em projetos de TI

A metodologia Design Thinking segue um processo dividido em seis etapas: definir, investigar, idear, prototipar, medir e aprender. São utilizadas diferentes ferramentas para realizar cada uma delas.

Em projetos de TI elas podem ser utilizadas, para, por exemplo, antecipar-se a problemas de usabilidade e até para reduzir os gastos com a construção de um software. Veja agora um detalhamento de cada uma dessas etapas:

1. Definir

É a etapa de definição do problema que o projeto quer resolver. Quem está envolvido no processo? São apontados nesta fase os principais atores (clientes, funcionários, parceiros, usuários) que fazem parte do projeto.

Em um projeto de TI, esta fase é o levantamento de requisitos e necessidades dos usuários. Mais do que concentrar esforços somente na equipe de tecnologia, os usuários do sistema que está sendo discutido, por exemplo, são chamados para dar a sua visão e propor ideias.

2. Investigar

Esta é a etapa de pesquisa. Nela, a equipe do projeto busca a empatia com as pessoas envolvidas. A ideia aqui é que, após esse passo, os design thinkers sejam capazes de definir um dia na vida do cliente do projeto — ou seja, que mergulhem nas suas necessidades, anseios e desejos.

É nessa etapa que os arquétipos dos clientes começam a ser desenhados. Ou seja, são formatadas personas com características bem definidas para que toda a equipe “visualize” com quem e para quem está desenvolvendo o projeto.

Num projeto de TI, essa fase é fundamental para que arquitetos e desenvolvedores consigam colocar-se no lugar do usuário final e perceber como cada decisão deles pode influenciar no dia a dia de quem opera as aplicações desenvolvidas.

3. Idear

A fase da ideação é também conhecida como brainstorm, ou seja, as ideias da equipe e dos usuários são ouvidas e registradas sem qualquer julgamento.

Depois de ter gerado todas as ideias, o próximo passo é traduzi-las para um modelo de negócio. Se a intenção é criar um produto ou serviço, é preciso fazer com que os maiores números de ideias sejam colocados à luz de um negócio viável.

4. Prototipar

Aqui é criado um produto mínimo viável (PMV). Se o que estamos fazendo é inovar em um produto ou serviço, esse PMV pode ser um protótipo do produto ou serviço com a funcionalidade mínima exigida pelo cliente.

Com os protótipos em mãos, são feitos testes pela equipe de TI e também na presença dos clientes (dos usuários) para que comecem a ser apontados os defeitos e as soluções possíveis. Nessa fase as ideias começam a ficar mais claras e caminham mais rapidamente para uma solução final.

Em outras palavras, os protótipos facilitam os testes de usabilidade, por exemplo, e evitam que se chegue ao final do projeto com um produto final que não atenda 100% às necessidades dos usuários.

5. Medir

Agora é chegada a hora de definir as métricas relevantes para medir os resultados da inovação que pretendemos implementar no produto, serviço ou modelo de negócio. Se a solução buscada é abrir um canal de vendas online, por exemplo, as métricas podem ser o número de visitas, a taxa de conversão do cliente ou a rentabilidade.

6. Aprender

A última etapa consiste na interpretação dos resultados da fase anterior e se eles são ou não satisfatórios. Se eles forem satisfatórios, é possível fazer uma iteração, para projetar uma solução final viável. Se os resultados não forem satisfatórios, então é hora de repensar e projetar novos protótipos.

Trata-se de uma fase em que todos os envolvidos (equipe de TI e usuários) sentam para discutir os resultados do projeto e listam as lições aprendidas. Com um resultado dentro do esperado, parte-se para a construção do que foi definido como objetivo.

Caso não esteja dentro do que foi projetado, fica mais fácil corrigir a rota e começar tudo de novo sem a preocupação de cair nos mesmos erros.

Design Thinking aplicado à TI pode melhorar a experiência e a satisfação dos usuários

Embora seja muito associado à inovação disruptiva, o Design Thinking pode perfeitamente ser utilizado para soluções incrementais. Ao trazer os usuários para dentro de um projeto, a equipe de TI ganha com a visão de quem necessita das soluções criadas e pode melhorar a experiência envolvida em suas entregas.

A partir desse mergulho na visão dos usuários, é possível criar soluções satisfatórias e resolver problemas antigos com novas ideias. Assim, ganha-se mais cumplicidade dos usuários, economiza-se tempo na construção de produtos e serviços e, sobretudo, melhora-se a experiência dos usuários.

Vantagens, desvantagens e perspectivas para o Design Thinking

É fácil entender as vantagens criativas de utilizar o Design Thinking, especialmente porque a prática cria um espaço mais amplo, horizontal e motivador, estimulando a equipe. Porém, é muito importante ressaltar que seu uso ainda é um pouco recente e, como todas as tendências em inovação, apresenta algumas desvantagens.

Entre elas, a predominante é o desgaste emocional que colaboradores criados em uma cultura detalhista sentem ao ter que lidar com uma sistemática que se baseia na experimentação e no erro.

O administrador precisa verificar se a equipe está apta para suportar diversos recomeços e para encarar fracassos ao longo de sua jornada.

Em relação ao futuro do Design Thinking, provavelmente acontecerá algo semelhante ao que ocorreu com quase todas as escolas de concepção criativa e metodologias revolucionárias.

Com o tempo, o conceito passará por alterações e contribuirá para a geração de novos métodos e culturas organizacionais. Até lá, ele será um bom aliado para o aumento da criatividade dos empreendimentos.

Importância do Design Thinking para as empresas

O Design Thinking é aplicável a empresas de qualquer porte, já que é uma forma de abordar as questões no ambiente da gestão e uma maneira de solucionar problemas das mais variadas naturezas.

Realmente, não há como um empreendimento se desenvolver no mercado sem conhecer esses conceitos. Mesmo que não faça uso de todas as técnicas, é fundamental que conheça e utilize algumas na criação de novos produtos e serviços ou no aprimoramento dos que já estão disponíveis.

O Design Thinking é importante para a sociedade na medida em que carrega a inovação para o plano de quem vai utilizá-la — o cliente participa da geração do novo produto. A via não é apenas única, existem relações em todas as fases.

Além do mais, aplicar a metodologia para o estudo de conteúdos sociais e econômicos certamente contribui para novas formas de resolver problemas que continuam desafiando os gestores.

Relação entre Design Thinking e inovação

É difícil trabalhar inovação atualmente sem o conceito de Design Thinking, visto que a ideia principal é exatamente que não se parte de uma questão específica a ser solucionada, mas do espaço problema/solução. Dessa forma, fica visível a principal diferença entre a engenharia e o design.

Ao passo que a engenharia parte de um problema e se vale de um conjunto de mecanismos para resolvê-lo, o design para inovação parte de um aspecto bastante conhecido como espaço-problema-solução, em que tanto o problema como a solução ainda estão genéricos e misturados na mesma questão conceitual.

É fundamental utilizar conceitos variados para que seja possível solucionar um problema que inicialmente não estava sequer determinado. É dessa maneira que a maior parte das inovações surgem, aumentando muito as chances de sucesso de uma empresa.

Então, o êxito na utilização do Design Thinking depende muito mais do espaço da empresa (sem preconceitos, menos conservadorismo e disposto a arriscar e pensar no novo) do que exatamente o setor de atuação. É possível inovar nas ações mais simples e impensáveis, distinguindo totalmente a empresa no mercado.

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2017-10-10T19:16:21+00:00 0 Comments