A palavra consultoria está muito desgastada no mercado. Foram tantos anos e tanta gente que se dizia conhecedor e fornecedor de consultoria, que poucas empresas atualmente acreditam que seja relevante a contratação de alguém para entrar na sua empresa apenas para dizer o que está errado e, na maioria das vezes, não dizer como fazer o certo.

Hoje, as empresas contratam quem sabe fazer desde o assessment até a operação assistida, e é muito fácil entender os motivos: dar palpite e achar defeito é fácil. As empresas querem quem saiba recomendar e operacionalizar as soluções.

O assessment é a porta de entrada para saber como está a situação atual da empresa, levantando cada detalhe, desde a infraestrutura até os processos e padrões de qualidade. Isso é fundamental para conseguir um mapa detalhado do dia a dia da empresa.

Existem diversas metodologias e ferramentas para fazer um bom assessment. A melhor delas é aquela que descreve exatamente a situação atual da empresa, sem tecer nenhuma consideração ou comparativo com nenhuma prática do mercado.

É natural que as pessoas reajam de maneira refratária às críticas sem justificativas. E são muito comuns os consultores que mal conhecem as empresas e já criticam tudo o que veem pela frente. O ideal é primeiro levantar e entender, antes de criticar.

A construção do diagnóstico da situação atual pode ser fatal para a relação das pessoas. A prudência com o velho ditado que diz que ‘o bom é inimigo do ótimo’ deve ser tomada, até porque o ótimo pode não ser o melhor para a empresa.

O diagnóstico deve apontar o que se sugere que seja alterado para fazer com que a empresa alcance as metas desejadas. E não para se tornar a melhor empresa do mundo.

Para construir uma solução, ter como premissa a possibilidade real de implantá-la é fundamental. Virou lugar comum se deparar com recomendações maravilhosas e impossíveis de serem implantadas. A recomendação que virá da nova construção tem que ser viável, tanto do ponto de vista financeiro quanto operacional, mesmo que isso seja feito em etapas e, consequentemente, demore mais para ser implantado do que as expectativas iniciais de quem contratou a consultoria.

Mobilizar a empresa para mudança e trazer todos para o foco da implantação não é uma tarefa fácil. Nem quando o principal executivo do cliente é o “garoto propaganda” das mudanças. Divulgar e discutir o que será feito com todos os envolvidos é critério fundamental, não para se garantir o sucesso, mas para se fugir do fracasso.

Implantação é a fase mais difícil e duradoura. Problemas aparecerão e mudanças no planejamento original do que se foi recomendado são recorrentes. Por isso, manter todos os envolvidos focados e motivados é o mais complicado.

Cada passo finalizado é um projeto terminado e, consequentemente, uma operação nova iniciada. Assim, assistir a operação e manter os processos novos em funcionamento é o desafio. Como na física, as pessoas tendem a manter a inércia dos velhos costumes e hábitos. Por isso, garantir que as mudanças funcionem é mais fácil do que fazer com que as pessoas trabalhem suportadas pelos novos processos.

Como se vê, a nova consultoria está muito diferente e muito mais consistente do que há anos. Agora fica fácil entender porque as empresas tem tanta resistência em contratar apenas palpiteiros.