A mudança de cultura do CIO para a nova TI é um desafio que nem todos os profissionais estão preparados devido a rapidez do avanço tecnológico que tem invadido a sala do principal executivo de TI. E o antigo bonachão que administrava o velho CPD como quem administra uma repartição pública teve que se reinventar para não ficar pelo caminho.

Os CIOs (a maioria deles) chegaram a esta posição porque iniciaram suas carreiras desde os tempos em que eram do suporte técnico ou desenvolvedores. Com perfis introspectivos, tiveram que fazer um esforço para se adaptarem ao que as empresas esperavam deles como executivos.

Dogmas intransponíveis viraram pó, a dificuldade em se comunicar, por exemplo, foi o primeiro a cair: é inimaginável um CIO que não saiba se comunicar, pois ele deve deixar claros a estratégia, os processos que estão sendo construídos e os resultados que se querem alcançar. Ninguém fará o que deve ser feito se não souber claramente o que se deseja.

Gerenciar pessoas era algo feito na ponta do crachá. Hoje, é uma habilidade tão importante quanto saber comunicar, liderar e entender a importância de administrar pessoas. Não é possível mudar de time toda hora, e truculência não é sinônimo de competência.

Obviamente, não se consegue adquirir essas novas habilidades da noite para o dia. Voltar para a academia buscando cursos de MBA em administração para abrir a cabeça e aprender a desenvolver as pessoas é fundamental.

Entender o negócio da empresa, no entanto, é tão difícil quanto adquirir as outras habilidades citadas. O líder de tecnologia tem que saber tudo sobre o negócio em que está inserido: seu desafio diário é aprender tudo sobre a empresa para chegar a um nível em que possa trabalhar como consultor para os demais líderes da companhia. Seu objetivo é trabalhar com todas as áreas, sabendo do que cada uma precisa e como ele pode ajudar.

É necessário estar “antenado” para trabalhar como diretor de TI, ou seja, é preciso conhecer e interessar-se pelas tendências, e, pelo menos, ter uma ideia do que vai acontecer no futuro. Olhando para as tendências, por exemplo, é impossível não pensar na internet das coisas, em carros inteligentes, etc. O diretor de TI precisa estar sempre olhando para frente e pensando em como a tecnologia pode ajudar o negócio da empresa.

E, finalmente, ele também deve ser um eterno agente de inovação. A tecnologia sempre serviu como suporte para o negócio, atualmente, ela pode ser mais do que isso: ela é capaz de transformá-lo. O líder de TI tem que entender que ele será um agente de mudança, pensando sempre em quais ferramentas existentes – ou que possam ser desenvolvidas – transformariam os processos ou até mesmo os produtos das companhias.

Ainda assim, as novas tendências dizem que o CIO deve ser extinto. Se pensarmos no modelo em que o Chief Information Officer foi criado, ele já é, sim, uma peça de museu, porém, se pensarmos que ele é um agente de mudança capaz de transformar a empresa e os negócios, poderá facilmente ser rebatizado de Chief Innovation Officer.