Afinal, o que é indústria 4.0?

Você já ouviu falar em indústria 4.0? Não? Esse é um conceito que vem ganhando muita força nos últimos anos, e está intimamente ligado ao avanço da tecnologia, sobretudo à digital (computação em nuvem, internet das coisas, mobilidade, devops, big data etc.).

De fato, avanços e novidades são termos comuns quando o assunto envolve tecnologia. Diariamente, nos deparamos com novos recursos, sistemas e soluções capazes de melhorar e facilitar as nossas vidas.

Para quem trabalha na área, essa realidade é ainda mais acentuada, já que a indústria disponibiliza uma quantidade avassaladora de recursos para que os profissionais possam executar suas atividades. Justamente por isso, manter-se atualizado é tão importante.

Então, é sobre isso que vamos tratar neste artigo. Além de entender exatamente o que é indústria 4.0, aqui você verá um compilado de tudo que um profissional de TI deve saber para se manter atualizado sobre o assunto. Acompanhe e confira!

O que é a indústria 4.0

Um dos especialistas que melhor define a indústria 4.0 é Bill Lydon, editor do portal americano Automation.Com. Em um artigo sobre o assunto, ele afirma que a adoção de tecnologias disruptivas é a principal característica desse fenômeno:

Trata-se da aplicação da tecnologia para otimizar a coordenação de todos os aspectos industriais, incluindo design, cadeia de fornecimento, automação da manufatura e gerenciamento de ciclo de vida.

Bom, talvez você ainda esteja se perguntando por que, exatamente, o termo é “indústria 4.0”. Na verdade, ele remete à quarta grande revolução na fabricação moderna.

  • primeiro, houve uma importante reviravolta após a chamada “revolução magra” da década de 1970;
  • em seguida, o fenômeno da internacionalização (globalização), na década de 1990;
  • depois, a automação, que decolou na década de 2000.

Logo, não é errado dizer que estamos, neste momento, construindo a indústria 4.0.

Obviamente, países como a Alemanha, altamente industrializados e desenvolvidos, estão um passo à frente. Ainda assim, a tendência atual é que esse termo se dissemine por todas as economias mundo afora.

As principais forças da indústria 4.0

A Indústria 4.0 também pode ser descrita como a próxima fase na digitalização do setor manufatureiro, impulsionada por quatro grandes forças:

  • a ascensão surpreendente do volume de dados, do poder computacional e da conectividade, especialmente com novas redes de baixa potência em toda a área;
  • o surgimento de análises e capacidades de Business Intelligence;
  • as novas formas de interação homem-máquina, tais como interfaces de toque e sistemas de realidade aumentada;
  • e as melhorias na transferência de instruções digitais para o mundo físico, como a robótica avançada e a impressão 3D.

Os princípios da indústria 4.0

Depois de ver as forças que impulsionam a indústria 4.0, podemos agora falar sobre os seus princípios. Eles compreendem, basicamente:

1. Real time

Capturar, analisar e transformar dados são processos que precisam ser feitos, cada vez mais, de forma instantânea. E isso se deve não só à dinâmica do mercado, mas também à própria facilidade tecnológica.

Nesse contexto, o Big Data acaba ganhando força, posto que é dele que advém grande parte das informações utilizadas pelas empresas na hora da tomada de decisões — além de servir de apoio rápido para ajustes às tendências do mercado.

2. Virtualização

O fenômeno da virtualização já é observado há alguns anos e, conforme o tempo passa, só se acentua ainda mais. Hoje, a quantidade de serviços e atividades que ganharam versões ou foram criadas exclusivamente para ambientes virtuais é surpreendente.

Assim, infraestrutura de TI, serviços e recursos tecnológicos não precisam mais estar ao alcance dos olhos dos gestores da indústria. Quanto mais virtualizados eles estiverem, mais se alinha à indústria 4.0!

3. Descentralização

As máquinas não só recebem comandos; hoje, elas também podem fornecer dados sobre seu próprio ciclo de vida, oferecer insights e auxiliar na tomada de decisões em diversos níveis. Inclusive de forma remota e sem a necessidade de intervenção humana constante.

O apoio às decisões agora vem de todas as partes. Gestores, gerentes e líderes empresariais têm à disposição modernos sistemas — muitos deles autônomos — para solucionar falhas e/ou otimizar processos que, antes, dependiam do reforço humano.

4. Orientação a serviços

Também cresce a utilização de arquiteturas de software, ao estilo Internet of Services. A indústria vem se beneficiando desse movimento, sobretudo para diminuir custos operacionais e ganhar inteligência competitiva.

5. Modularidade

Com o avanço tecnológico, a produção de acordo com a demanda ganha mais força, especialmente por conta da flexibilidade para alterar as tarefas das máquinas em poucos cliques.

Os reflexos disso são processos mais alinhados às necessidades da empresa e do mercado, além de um impacto direta e positivo na utilização de recursos, aproveitando-os de maneira muito mais eficiente e eliminando custos desnecessários.

Os movimentos tecnológicos por trás da indústria 4.0

Vejamos, a seguir, quais são os principais movimentos e tendências tecnológicas que impulsionam a indústria 4.0:

1. Cloud computing

O cloud computing (computação em nuvem) tornou a tecnologia mais acessível do que nunca. Agora, indústrias de todos os portes e em todas as áreas de atuação podem obter recursos tecnológicos de forma virtualizada, o que promove uma grande quantidade de vantagens, entre as quais:

  • diminuição considerável dos custos: a necessidade de se utilizar e custear grandes infraestruturas de TI dá lugar aos modelos baseados em nuvem, nos quais tudo é contratado como serviço;
  • mais escalabilidade tecnológica: com a cloud computing, as empresas têm a possibilidade de adequar os recursos computacionais contratados de maneira rápida, trabalhando sempre com os recursos necessários para as suas demandas;
  • maior mobilidade: uma das grandes vantagens da nuvem é a capacidade de se gerenciar e controlar os serviços de maneira remota, bastando apenas uma conexão com a internet;
  • diferencial competitivo: como forte tendência do mercado empresarial, migrar serviços para a nuvem já se tornou um grande diferencial competitivo, sobretudo pela acessibilidade que o conceito apresenta para micro e pequenas empresas;
  • melhora na segurança da informação: na cloud computing, todos os dados e informações da empresa são rigorosamente protegidos. As prestadoras desse tipo de serviço investem massivamente em sistemas de segurança e em pessoal altamente qualificado, a fim de garantir da integridade das informações.

2. Big data

A quantidade exponencial de dados gerados pelas empresas, bem como a quantidade de ferramentas que surgem a cada dia para lidar com eles (estruturá-los, ordená-los e analisá-los), também está influenciando o setor manufatureiro.

Nesse sentido, é possível utilizar uma série de canais para capturar, analisar e transformar dados em informações — sensores, máquinas inteligentes, dispositivos etc. —, para tomar decisões estratégicas e ganhar competitividade industrial.

Nada se perde na indústria 4.0; toda a informação ou dado capaz de agregar valor à empresa é utilizado. O profissional, no entanto, deve estar preparado para lidar com essas informações, assim como os líderes devem se valer desses recursos para promover otimizações nas operações.

3. Análises avançadas

Análises mais fortes podem melhorar dramaticamente o desenvolvimento de produtos. Uma montadora, por exemplo, pode utilizar dados a partir do seu configurador on-line, em conjunto com a aquisição de dados, para identificar as opções que os clientes estão dispostos a comprar. Ou, também, pode trabalhar em conjunto com as seguradoras para definir valores de seguros.

Com isso, é possível diminuir os custos e o tempo de produção, bem como trabalhar melhor a experiência dos clientes, cada vez mais exigentes, bem informados e assediados pela concorrência.

4. Interfaces homem-máquina

Do inglês, Humam-Machine Interface, a Interface homem-máquina (ou máquina-homem) é um conceito que remete a máquinas e dispositivos com algum tipo de visor usado para facilitar a comunicação entre pessoas e máquinas.

Esse conceito vem sendo empregado em maquinários industriais, inclusive com a inserção de sensores para diminuir a necessidade de toques e elevar a automação industrial.

5. Internet das Coisas (IoT)

A possibilidade de conectar os mais variados objetos à web também chegou com força na indústria. Agora, máquinas e equipamentos podem ser ligados a sensores, aplicativos e outros recursos que os tornem conectados à grande rede. E essa infinidade de aplicações possíveis vem elevando o poder de automatização, controle e eficiência nas áreas de manufatura.

As habilidades que os profissionais precisam ter para lidar com a indústria 4.0

Diante de tudo isso, tanto os profissionais das diversas áreas de TI que desenvolverão soluções para a indústria 4.0 quanto aqueles que atuam diretamente nas fábricas — operários, líderes, gestores — devem desenvolver algumas habilidades para lidar com essa nova realidade.

Por isso, vamos dividir as dicas em dois grandes grupos:

Profissionais de TI

Esses profissionais devem ser os mais bem preparados para lidar com as mudanças da indústria 4.0. Isso porque as equipes de TI podem ser ferramentas essenciais para que todo o processo de adaptação da empresa aconteça de maneira eficiente.

Neste contexto, é altamente desejável que os profissionais de TI sejam detentores de atributos e qualidades como:

1. Conhecimentos técnicos em tecnologia digital

Os profissionais de TI devem ter o domínio técnico necessário para atuar alinhado aos novos recursos da indústria. Para isso, as graduações em engenharia mecânica, engenharia da computação e afins, além das especializações, são exemplos de como o profissional pode buscar esses conhecimentos.

2. Capacidade analítica e consultiva

O profissional de TI que apenas opera equipamentos não é bem o que a indústria 4.0 necessita. Na verdade, ela demanda por profissionais que têm uma visão sistêmica, capazes de analisar os processos e, mais do que isso, ter autonomia para tomar suas decisões.

3. Entendimento de negócios e funcionamento de indústrias

Profissionais fechados em suas funções também não se alinham à indústria 4.0. Busca-se hoje equipes cada vez mais integradas aos diversos setores da empresa, atuando e intervindo de maneira estratégica nos rumos do negócio.

4. Facilidade com análise de dados

Atualmente, há cada vez menos espaço para decisões tomadas com base apenas na intuição. A análise profunda de dados é elemento fundamental para a condução das atividades e, principalmente, para a sua otimização. Por isso é tão importante que o profissional de TI tenha certa facilidade em desenvolver essa análise de dados.

5. Conhecimento de infraestrutura e serviços virtualizados

A tendência atual é a virtualização de serviços, logo, o profissional de TI deve estar inteirado dos novos conceitos que envolvem essa tendência. Dominar os conceitos envolvidos com o mundo digital, bem como estar antenado com as principais tendências do mercado tecnológico, é, sem dúvida, um diferencial desse profissional.

6. Disponibilidade para atualizar constantemente seus conhecimentos

Buscar certificações, fazer benchmarking, participar de eventos, pesquisar — seja como for, o aprimoramento deve ser constante na indústria 4.0. Do mesmo modo que a tecnologia avança com grande velocidade, o profissional da área também deve ter essa postura na hora de buscar se alinhar às tendências do mercado.

Profissionais da indústria

Os profissionais que atuam na base das operações da empresa, a exemplo dos operários, também devem possuir certas qualidades. Afinal, serão elas que facilitarão a rotina de atividades na indústria 4.0. Vejamos, então, algumas dessas qualidades recomendadas:

1. Formação multidisciplinar para lidar com processos, atividades e expectativas dinâmicas

Os operários, gestores e líderes devem entender que não basta conhecer apenas aquilo que diz respeito às suas funções típicas. Na indústria 4.0, é preciso ir além. O profissional deve ter múltiplos conhecimentos de outras áreas, até para que possa contribuir de maneira mais completa com a empresa.

2. Gosto por inovação tecnológica

Quem deseja atuar na indústria 4.0 deve desenvolver um gosto por inovação, visto que esse é o termo de define tal modelo de indústria, na qual tudo está em constante modificação e aprimoramento, graças à grande participação da tecnologia.

3. Capacidade de adaptação

Para lidar com equipamentos cada vez mais sofisticados e independentes da ação humana, além de gostar de inovação, o profissional deve estar preparado para ela. Sendo assim, deve se preocupar em se atualizar e capacitar, a fim de que possa utilizar novos equipamentos, metodologias e sistemas cada vez mais complexos.

Por fim, além de trazer mudanças significativas na maneira como as empresas lidam com os processos de manufatura, a indústria 4.0 traz também uma demanda por profissionais mais atualizados e ativos, dotados de características e atributos voltados para a inovação e integração entre toda a empresa.

Então, agora que já conhece um pouco mais sobre o conceito de indústria 4.o, enquanto profissional, você acha que já está preparado para atuar nela? Deixe o seu comentário e conte-nos um pouco sobre as suas impressões ou eventuais dúvidas!

2017-08-09T19:03:35+00:00 0 Comments