Gestão da tecnologia da informação: 4 tendências para ficar de olho

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A tecnologia da informação (TI) não para de evoluir e nos surpreender a cada dia. Neste momento, de acordo com inúmeros especialistas, estamos em plena era da Transformação Digital (tecnologias disruptivas estão transformando a experiência do usuário, os processos operacionais, os modelos de negócio e a forma com que lidamos com hardwares e softwares). E essa era coloca a América Latina como uma das regiões do mundo com maior movimentação tecnológica. De acordo com a consultoria IDC, mesmo num momento de crise para a maioria dos países da região, devem ser movimentados mais de 139 bilhões de dólares em 2015 em cloud computing, mobilidade, internet das coisas, realidade aumentada, Big Data, entre outras tendências tecnológicas disruptivas e inovadoras.

Há mercados já maduros, como é o caso do Brasil com a computação em nuvem, e há outros em pleno desenvolvimento de cultura. O que não se pode negar é que há entre os empresários e profissionais de TI (sobretudo os gestores de tecnologia) um esforço para se adaptar a essa nova realidade e aproveitar o momento de expansão tecnológica.

A ideia deste artigo é justamente esta, conversar sobre as tendências que vão impactar a gestão da TI nos próximos meses e anos (curto e médio prazo) e discutir sobre como elas estão modificando a forma com que os gestores de TI e executivos de negócios têm lidado com a tecnologia.

Nos tópicos que seguem, você verá as principais tendências em segurança da informação, gestão da informação, cloud computing, automação etc. Terá um material rico em informações sobre o que os principais especialistas em TI no mundo estão observando e apontando nesse momento de transformação da tecnologia da informação.

Queremos que este material lhe seja bastante útil tanto para refletir sobre os novos rumos da gestão da tecnologia da informação quanto para agir rumo à era da transformação digital, aproveitando todos os benefícios que esses novos paradigmas oferecem para empresas e profissionais da área. Confira!

1. Segurança da informação: nunca se falou tanto dela

Todos os anos, as ameaças representadas por cibercriminosos evoluem para formas novas e mais perigosas, enquanto as organizações lutam para manter seus dados seguros.

Para se ter uma ideia, de acordo com a Symantech, uma das maiores empresas globais de desenvolvimento de soluções para a segurança da informação, o Brasil está entre os dez países do mundo que mais propagam vírus. Na América Latina, estamos em primeiro lugar, à frente do México e da Argentina. Enquanto aqui 71,6% das contaminações por vírus se dão por meio de compartilhamento manual, nos outros países da região esse índice é menor que 22%.

Há uma mudança no cenário brasileiro com relação aos spams (mensagens publicitárias que, muitas vezes, trazem vírus). Aqui, menos de 10% das contaminações se dão dessa forma, enquanto em outros países da região o índice pode chegar a 51%. Mas é aí que está o perigo. Os usuários brasileiros já estão acostumados com os alertas de que as mensagens indesejadas na caixa de correio eletrônico podem trazer vírus e isso vem mudando, exigindo assim uma nova mentalidade diante da prevenção de ameaças virtuais.

E a Symantech faz um alerta: há um vertiginoso crescimento (35%) dos ataques via ransomware, que criptografam os dados das vítimas. Em 2015, foram roubados ou danificados mais de meio bilhão de dados pessoais, o que nos coloca entre os países mais vulneráveis do mundo.

Big Data e Cloud Computing para combater ameaças à segurança da informação

Um outro estudo da PwC, denominado The Global State of Information Security Survey, apontou que 69% das empresas buscam soluções de cibersegurança baseados na nuvem e 59% recorrem às ferramentas de Big Data para ampliar seus esforços de segurança da informação.

A PwC aponta também que os provedores de serviço de nuvem têm investido massivamente em ferramentas e práticas para garantir a segurança dos dados de seus clientes, ampliando a privacidade, a segurança de rede e a gestão de identidade. Da mesma forma, grandes empresas já estão recorrendo à análise de grandes volumes de dados para criar uma abordagem sistêmica de segurança e elevar as barreiras de proteção.

2. Gestão da informação: mais rápido e mais eficiente

Profissionais de gestão da informação já estão percebendo que as necessidades dos usuários estão evoluindo em um ritmo cada vez mais rápido. Um levantamento denominado Market Intelligence Trends 2020 Survey, produzido pela M-Brain, identificou três principais tendências tecnológicas que

terão impacto nos sistemas de gestão de informação nos próximos quatro anos. Esse estudo tem sido considerado muito importante por especialistas da área, pois aponta os principais anseios das empresas e dos usuários quando o assunto é a gestão da informação.

Veja, a seguir, o que foi identificado pelos pesquisadores:

1. Automação da coleta de dados

83% dos entrevistados disseram que os sistemas de inteligência de mercado devem ser capazes de automatizar a coleta de dados em 2020. Cada vez mais, as empresas precisam implementar sistemas de coleta de informações online e em tempo real, de modo a identificar e responder às oportunidades de mercado emergentes e ameaças de forma mais proativa e mais rápida do que a concorrência.

Os gerentes de TI devem trabalhar para assegurar que os dados possam ser integrados em sistemas de informação que têm recursos embutidos, ou em ferramentas de automação que lidam com tudo de forma eficaz e por meio de um número mínimo de diferentes interfaces de usuário.

Implementar formas de garantir a eficácia e a rapidez da automação de dados é o grande desafio. O estudo aponta ainda que os gerentes de TI precisam identificar o melhor conjunto de fontes de dados e ferramentas para suas organizações, bem como o nível ideal de envolvimento humano.

2. Automação de análise da informação

91% dos entrevistados disseram que precisam da aplicação de análise de dados automatizado. Para 78% dos executivos de negócios, Big Data terá um grande impacto na gestão da informação, sobretudo no que diz respeito às atividades de inteligência de mercado.

O estudo aponta que os gerentes de TI também precisam aprender e se manter a par das últimas possibilidades e opções disponíveis em análise automática continuamente (ferramentas estatísticas e de modelagem, por exemplo); e fazer parcerias com bons provedores de soluções de gestão da informação que ampliem o poder de análise e tomada de decisão.

3. Integração inteligente de sistemas corporativos

Quase dois terços (64%) de todos os entrevistados desse estudo disseram esperar que recolhimento de informação e programas de análise sejam integrados com outras funções organizacionais no futuro. Isso certamente seria um passo positivo.

A maioria das empresas hoje usa sistemas separados para servir aos seus requisitos de informação diferentes — por exemplo, CRM, portal de inteligência de mercado, intranet, plataformas de mídia social e ERP. Muitas reconhecem a necessidade de integrar essas ferramentas ou, pelo menos, providenciar um único ponto de acesso a todos os sistemas relevantes.

Os especialistas da M-Brain apontam que a integração técnica pode — e deve — ser considerada, mas o nível de exigência deve ser sempre avaliado com cuidado. “Muitas vezes, é suficiente apenas o compartilhamento de pontos de vista ou mover dados necessários entre sistemas, em vez de implementar sistema real ou integrações de nível de banco de dados, no qual os retornos sobre o investimento podem ser limitados”.

Essas três tendências mostram que as empresas terão (ou desejam ter) sistemas cada vez mais sofisticados, que podem combinar todos os dados que eles têm dentro de suas organizações e proativamente interpretar os sinais negativos e positivos do mercado, no contexto de circunstâncias e objetivos específicos de negócio. A gestão da informação, cada vez mais, é orientada a análises preditivas e à inteligência competitiva.

3. Cloud computing: a virtualização continua!

Para a IDC, os países da América Latina devem elevar os investimentos em cloud computing em 40% até o final de 2016. “Os serviços na nuvem são parte do portfólio da maioria dos provedores de TI e Telecom, por um motivo simples: eles se converteram na principal escolha para qualquer nova implementação de TI”, afirma o relatório. Para os especialistas, a virtualização é a chave da transformação digital no mundo corporativo. Tanto que devem ser investidos cerca de 3,6 bilhões de dólares em nuvem pública e privada na região neste ano.

Cada vez mais empresas se dão contam de que virtualizar infraestrutura e sistemas é um grande negócio tanto do ponto de vista econômico (redução de custos por não haver necessidade de manter um arcabouço tecnológico interno) quanto de segurança da informação, dentre outros aspectos.

A cloud computing, também é preciso pontuar, vem tendo muita aderência por parte das pequenas e médias empresas, que veem na virtualização uma excelente forma de competir de igual para igual com grandes players do mercado, do ponto de vista da TI.

Computação em nuvem caminha para o “somente computação”

O que inúmeros especialistas já apontam é que dentro de pouco tempo não haverá mais distinção entre computação e computação em nuvem. Mover dados para a nuvem, utilizar amplamente a virtualização, cada vez mais, será como um simples copiar/colar.

Basta repararmos a quantidade de provedores de serviços de nuvem que surge a cada dia. Há inúmeras opções — claro, é preciso mais critério na hora de firmar uma parceria — que estão popularizando e facilitando a migração de infraestruturas e, sobretudo, a utilização de softwares como serviços (SaaS).

A computação em nuvem e o Shadow IT

Tanto é verdade que nasceu um novo fenômeno chamado Shadow IT, que nada mais é do que a adoção de sistemas, aplicativos e serviços sem o conhecimento dos departamentos de TI nas empresas. Departamentos como Marketing, Vendas etc. vêm tomando a frente e adquirindo ferramentas para a operação sem consultar a equipe de TI.

Isso, é óbvio, implica em uma série de riscos sobretudo para a segurança da informação, mas também no que diz respeito à comunicação interna (equipes criando “ilhas” de informações que impedem que outros departamentos integrem ou tenham acessos aos documentos). No entanto, é um novo comportamento do usuário de tecnologia da informação (TI), que vê na virtualização uma forma de emancipação e já não difere mais a aquisição de recursos tecnológicos de qualquer outro insumo para o dia a dia da operação.

Computação em nuvem, Internet das Coisas e o fenômeno da mobilidade

Outro ponto importante que merece atenção dos gestores de TI é a chamada “malha de dispositivos”, um termo cunhado pelo Gartner e que cada vez mais deve ser utilizado. Trata-se do extenso conjunto de pontos utilizados para acessar aplicações e informações, bem como interagir, fazer negócios etc.

Como a cloud computing ampliou o poder tecnológico das pessoas e empresas, a mobilidade ganhou muita força e deve dar a tônica da movimentação tecnológica nos próximos anos. A utilização de dispositivos móveis, wearables (tecnologias vestíveis) etc., cada vez mais, vem movimentando o mercado. A própria utilização de sensores da Internet das Coisas abre caminho para uma série de aplicações de negócios.

Dentro dessa tendência, usuários comuns e profissionais estão cada vez mais móveis, cada vez mais cercados por esta malha de dispositivos que, por sua vez, podem estar ligados a sistemas back-end via diversas redes ou operar isoladamente.

O desafio, logicamente, está em administrar essa malha de dispositivos dentro das empresas, tanto do ponto de vista da segurança da informação quanto da capacidade de conexão, além da ampliação das possibilidades de gerar negócios e potencializar resultados.

4. Automação: um mundo cada vez mais automatizado requer um novo olhar dos gestores

Há algum tempo, empresas de todos os portes e segmentos têm se conscientizado de que a automação é muito importante para agilizar a comunicação nos processos de negócios, minimizar custos devido a erros manuais e ineficiência, estabelecer uma hierarquia de trabalho, melhorar a produtividade, entre outras vantagens.

No entanto, nos últimos cinco anos, a automação deixou de ser um discurso e vem sendo perseguida por todos os negócios realmente interessados em melhorar resultados e se adequar às exigências de mercado, sobretudo no que diz respeito à competitividade — em que tempo e eficiência fazem toda a diferença.

Quando olhamos para as tendências em automação, inevitavelmente nos deparamos com movimentos tecnológicos da chamada era da transformação digital. A seguir, veja as principais tendências nesse cenário:

Automação industrial e Internet das Coisas

As discussões sobre o impacto da Internet das Coisas (Internet of Things – IoT) na automação industrial estão se intensificando. A evolução em curso das tecnologias que impulsionam a Internet das Coisas, dizem especialistas como Bill Lydon, editor do portal Automation.Com, estão promovendo acessibilidade a sistemas de automação industrial com desempenho mais elevado e custos mais baixos.

“Tecnologias IoT incluem processadores de alto desempenho com baixo custo, sensores mais baratos, softwares analíticos, sistemas de visão, computação em nuvem e arquiteturas de sistemas altamente distribuídos. Esses desenvolvimentos estão expandindo as opções para diminuir investimentos e facilitam o acesso a sistemas de automação industrial de maior valor”, afirma o executivo.

A indústria 4.0 ganha uma visão mais estratégica da automação

Cada vez mais se fala em “indústria 4.0”, que, em suma, se refere à aderência de tecnologias disruptivas no meio industrial. Esses negócios mais antenados com as tendências tecnológicas, apontam alguns especialistas, estão impulsionando mudanças e promovendo uma automatização adaptável que integra unidades de produção com outras funções de negócios, incluindo a logística, atendimento ao cliente e distribuição.

“A maior parte dessas iniciativas é a aplicação da tecnologia para otimizar a coordenação de todos os aspectos da indústria, incluindo design, cadeia de fornecimento, automação da manufatura e gerenciamento de ciclo de vida. Estamos passando por uma evolução que vai levar a ecossistemas mais ágeis e eficientes de clientes, fornecedores, fabricantes e logística de distribuição”, aponta Bill Lydon.

Aumento do desempenho de fabricação requer comunicações sem atrito e interação entre sistemas corporativos e a área produtiva, o que inclui a adoção de sensores, vídeos, sistemas de análise de dados, robótica etc.

A computação em nuvem está modificando a maneira como as empresas lidam com a automação

Computação em nuvem e virtualização estão acelerando a demanda por automação. Isso porque a execução de trabalhos e processos em diversas máquinas e infraestrutura requerem mais recursos, que podem ser adquiridos com mais facilidade.

A cloud computing tem permitido tornar os processos de negócios cada vez mais interligados e dependentes de tecnologias de TI. É aí que nasce o conceito de automação self-service: o usuário final de um processo de negócio pode escolher a partir de um catálogo de serviços uma solução de automação de TI e iniciar o processo por si só, sem a necessidade de envolver alguém de operações de TI. Por exemplo, um analista de negócios precisa de um relatório atualizado a partir de uma solução de BI. O processo de atualização dessa solução poderia envolver várias tecnologias, mas com automação de TI isso é algo com que o analista de negócios não precisa se ​​preocupar.

Automação como recurso para redução dos custos de TI

O número de diferentes tecnologias que compõem os departamentos de TI está crescendo, mas a equipe e os orçamentos permanecem os mesmos — em alguns casos, devido à crise econômica, gestores de TI estão sendo obrigados a cortar pessoal e lidar com orçamentos mais modestos. Diversos especialistas têm apontado a automação de TI como catalisador para impulsionar a eficiência e reduzir o custo das operações por meio da automatização dos processos de uso intensivo de recursos.

Automação como potencializadora de Big Data

As empresas, grandes e pequenas, estão cada vez mais contando com os dados para tomar decisões críticas quase em tempo real. Como o volume de dados aumenta, o mesmo acontece com o número de diferentes fontes de dados que alimentam datacenters e soluções complexas como business intelligence (BI) e outras que fazem análises variadas.

Dentro disso, a automação de TI ganha força, pois há a necessidade de automatizar e integrar essas diferentes fontes para melhorar a qualidade das análises e dos relatórios gerenciais.

Logo que o termo “Transformação Digital” começou a ganhar força, a Harvard Business Review publicou um artigo sobre por que as empresas precisam de gestores de TI melhores para lidar com as tendências tecnológicas cada vez mais frequentes e disruptivas. Foram apontados nesse artigo alguns aspectos de liderança digital que fariam toda a diferença:

  • Criação de uma visão de como a empresa se transforma diante das novas tecnologias do mundo digital;
  • Envolvimento de toda a organização na busca pelo crescimento tecnológico;
  • Canalização da energia corporativa (produtiva, inovadora) por meio da governança digital;
  • Quebra de silos no nível de liderança para impulsionar transformação digital.

Diante de tudo que apontamos aqui nesse post, podemos dizer que concordamos com esses pontos, mas a questão é: como os gestores de TI encontram essa liderança digital?

O desafio talvez esteja em demonstrar aos executivos de negócio o quanto essas tendências tecnológicas podem ser úteis para o desenvolvimento corporativo, especialmente em um momento de contenção de despesas por conta da crise econômica enfrentada pelo país.

Logo, para assumir o comando da transformação digital, gestores de TI devem incorporar um novo papel, o de “diretor digital”. Não significa que é preciso se transformar em um guru, mas sim em um “evangelizador”, que traz as novidades e as apresenta de uma forma fácil para compreensão de todos.

Fazer da gestão da tecnologia da informação um potencializador de resultados, especialmente à luz dessas tendências apontadas, tem muito mais a ver com uma nova postura de liderança do que com capacidades de investimento. O mercado está cada vez mais recheado de opções em consultorias, fornecedores, soluções e serviços. Basta estar bem informado e firmar as melhores parcerias.

Obviamente, a transformação não se dá da noite para o dia. Há soluções, serviços e costumes legados que não podem ser suplantados. No entanto, é preciso estar consciente de que as empresas que se adequam melhor a essa nova realidade (e os gestores de TI também) saem na frente na corrida pelo ganho de mercado e pela inteligência competitiva.

Como você tem lidado com esse momento de transformação que a gestão da tecnologia da informação está passando? Algum desses aspectos aqui levantados já fazem parte do seu dia a dia? Deixe seu comentário!

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2017-06-02T18:16:46+00:00 1 Comment